domingo, 18 de dezembro de 2011

1º Capítulo - O Pássaro


Capítulo
1
O pássaro


Tchay parecia uma mulher normal como todas as outras, mas tinha coisas muito estranhas acontecendo atualmente com ela, já estava ficando preocupada com a sua saúde, não sabia o que tinha, mas sabia que era algo muito sério, nunca ouviu falar em algo parecido com o aquilo, não sabia mais o que fazer, parecia já estar enlouquecendo, morava sozinha em sua casa, recebia poucas visitas, os vizinhos a achavam muito estranha. Frequentemente dava a aparência de que estava louca. De vez enquanto dava crises em casa, mas sempre sozinha, os vizinhos não tinham coragem de entrar na casa dela, do lado de fora da sua casa via-se sombras escuras e tenebrosas, as pessoas que não moravam naquela rua que só passavam por ali de passagem tinham certas sensações ao passar pela aquela casa, mesmo com certa idade a senhora Tchay gostava muito de passear, não tinha amigos, a não ser sua filha, que morava do outro lado da cidade. Passeava sozinha pela pracinha que tinha perto de sua casa todos os dias, precisava se distrair, devido ao seu problema, sua única filha viúva que morava no outro lado da cidade e sua neta sempre souberam de seu problema.
Era uma madrugada sombria e obscura, ouviam-se os ruídos da noite, a gata Jamira que morava na casa vizinha da Sra. Tchay todas as madrugadas ficava caminhando nos telhados das casas vizinhas e às vezes algumas telhas dessas casas amanheciam quebradas e os donos desconfiavam dela. Tchay estava em sua casa sentada em uma poltrona cor de mel, mas quem nunca viu a poltrona pela primeira vez para ter certeza da cor não acreditava quando ela dizia que era cor de mel, parecia marrom, muito confortável que estava localizada num canto estreito da sala que tinha várias telhas de aranha no alto, parecia que havia completado anos que aquela casa tinha sido limpada. Com o que vinha lhe acontecendo não se importava mais se sua casa estava limpa ou suja. Estava com as pernas cruzadas bebendo uma taça com vinho. Já era quinta-feira e desde o início da semana que a senhora Tchay ficava sentada naquela poltrona pela madrugada sombria e obscura que se encontrava ao seu redor, tomando uma taça cheia de vinho. A garrafa ficava em cima da mesinha ao lado da poltrona para caso não matasse sua vontade. O vinho da garrafa já se encontrava pela metade, pois só tomando vinho ela se sentiria mais segura de seu problema.
A Senhora Tchay antes de tudo que estava acontecendo com ela, acontecer, era uma professora muito dedicada ao trabalho, amava demais os alunos que tinha, mas começou tendo alucinações e pesadelos fortes com as pessoas que amava. Depois não podia sair na rua que sentia dores estranhas todas as horas em vários lugares. Então se aposentou e deixou sua profissão que amava tanto de lado. Já até tinha esquecido o que era ser uma professora, ela não sabia controlar sua doença, ou coisa parecida, porque não tinha doença da ciência que tivesse os sintomas que a Sra. Tchay tinha, mas em sua cabeça era sim uma doença.
Após ter se enchido de vinho foi dormir, pois já não ligava se fizesse mal à saúde, para ela não tinha mais saúde e achava que nunca mais iria ter, já havia perdido as esperanças quando seu médico o Dr. Guilherme falou em sua primeira consulta, que a doença era rara e inexistente nos estudos da ciência e não era detectada nenhuma doença em seus exames.
Quando o dia amanheceu Tchay já acordou escutando chiados estranhos, pensava que era na rua algo ou alguém que estava fazendo tal chiado, mas não, ao se levantar da cama e ver pela janela que não havia nada na rua percebeu que era dentro de sua casa, aliás, dentro de sua mente. Tomou um banho na suíte do seu quarto, trocou de roupa e saiu de seu quarto em direção à cozinha esquecendo a toalha em cima da cama. Eram dez horas da manhã e ela ainda iria fazer o café da manhã, na verdade fazia na hora em que quisesse, pois morava sozinha. Então preparou seu café da manhã e comeu como uma loba, porque estava com muita fome, após lavar toda a louça que tinha sujado voltou ao seu quarto para pegar seu celular e viu a toalha que havia esquecido em cima da cama, pegou-a por uma ponta e jogou em cima do boxe do banheiro.
 Ao pôr os pés na rua percebia-se que o céu perdia seu azul e as nuvens cinza tapavam o sol, ficava um tempo nublado, mas um nublado diferente. Foi à pracinha ali perto de sua casa, de longe se ouviam os risos das crianças brincando em brinquedos da praça, correndo uns atrás dos outros, via-se também pássaros voando por cima das árvores cheios de energia, mas quando Tchay colocou os pés na praça, as crianças perderam o ânimo, as árvores pararam de se balançar, os pássaros pararam de voar com exceção de um, que ficou sobrevoando pelas duas grandes árvores em frente ao banco que Tchay sentava todos os dias, mas mesmo assim ficou tudo quieto em cima das árvores, as crianças pediam aos seus pais para ir embora quando avistavam aquela senhora, mesmo não a conhecendo.
Tchay era uma senhora de bom coração não tinha mágoa com ninguém por se afastarem dela, achava que quem chegasse perto sentia alguma coisa, parecia que todos sabiam de seu problema, chegou até a pensar que a natureza também soubesse. Quando chegava à praça e sentava no banco branco que era acostumada a se sentar todos os dias, olhava ao seu redor e via que todos que estavam ali tinham ido embora. Ela passava a maior parte do tempo naquela pracinha, a maioria dos dias não almoçava para ficar ali, não sentia fome ao meio dia, na verdade até que sentia um pouco, mas não ia para casa, pois preferia ficar ali, se sentia bem quando estava na pequena praça e tudo o que ela estava precisando era de se sentir bem. A Sra. Tchay viu que somente um passarinho estava sobrevoando naquela praça, naquele momento, até que ele foi se aproximando dela, estava muito surpresa, esticou o seu braço direito com o dedo apontador também esticado, então o pássaro pôde pousar no seu dedo.
— Você é diferente de todos os passarinhos que conheço! — falou a senhora Tchay abaixando a cabeça e apertando os olhos para vê-lo direito. — O único que
O passarinho começou a cantar uma musiquinha, mas em instantes parou.
— Porque você é diferente dos outros pássaros e das outras pessoas? — perguntou parecendo esperar uma resposta. — É mesmo, você não fala, mas hoje não duvido mais de nada! — sussurrou tirando os olhos do passarinho por alguns instantes para ver se alguém a observava, porque se sim, iam pensar que era loca por estar conversando com um pequeno passarinho, apesar de pensarem que era louca, não iam mais ter dúvidas. — A minha vida não está sendo fácil! — exclamou novamente de olhos para o passarinho. — Ninguém fala mais comigo, todos olham com olhares estranhos para mim, estou enlouquecendo! Até todos da pracinha saem quando estou aqui, mesmo sem me conhecerem para saberem como eu sou! — explicou a Sra. Tchay com mais detalhes. — Os pássaros também param de voar e cantar, exceto você! As árvores param de se balançar e o vento do horizonte para de bater nelas! Não aguento mais isso! — falou com mais detalhes ao pequeno animal, tendo a mera impressão de que ele está entendendo alguma coisa.
O passarinho, que Tchay achava ser diferente e que estava em suas mãos, simplesmente bateu asas e voou sem ao menos olhar para trás.
— Siga seu caminho! — gritou Tchay olhando para cima com tristeza, porque via todos felizes e normais menos ela.
Por volta das duas horas da tarde ela se levantou do banco e saiu da pracinha em direção à sua casa, quase todas às vezes, olhava para trás, via as crianças quererem voltar, via os cantos dos pássaros novamente e ouvia o vento que vinha do horizonte bater firme nas árvores novamente e assim fazendo todos ficarem alegre sem ela, com isso seguia para sua casa mais constrangida com a situação e com a vida que estava tendo. Em outro canto de sua casa havia outra mesinha cor de vinho com várias velas em cima da toalha que estava sobre a mesa. Quase todas as tardes ela acendia todinhas sem exceção de uma, e ficava rezando e pedindo a Deus que tirasse aquela doença dela, pois mais sedo ou mais tarde ia acabar enlouquecendo. 

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